Cultura

Meia

*Brasilino José da Silva

Meia calça, meia praça, meia colher, meia lua

Tais meias vias de regra apresentam-se inteiras

Ainda assim conhecidas no jargão como meias]

Convenções dizem os papas da língua vulgata

Vulgarização de conhecimentos dizia o Velho

Mestre das soluções simplistas ora ocasionais

Mas as meias continuam a desafiar os eruditos

Meia taça, meia dúzia, meia certa, meia sereia

Meia mulher e peixe, meia luz, pataca e meia

São meias verdades que queremos por inteiro

Meias assim são inteiras Inteirezas de todo o ser

Não entender aritmética

Causa enroscos frugais

Assim os rios da vida se vão, calmos e doces bem

Textos de antanho sobre uma amazônia imaginária

Rios calmos e doces imaginários invadiam as almas

Sedentas de paz e sossegos profundos daqueles rios

Nem paz, sossegos e profundezas são feitos os rios

No cancioneiro existem rios e até mares de lágrimas

Nunca ouvi falar em meias felicidades ou malhações

Em dias frios de shows acrobáticos e malhação pesada

Ela cinderela bela e em pelos e pele da cor da meia lua

Em suas graças e levezas vestia somente meias nos pés ]

Meias ou as inteiras

Entradas de cinemas

Camarotes especiais

la usava par de meias

Em frios dias de exibição

 

*Brasilino José da Silva é poeta em Rondonópolis.

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