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MT / Missionários: viram destaque no Fantástico por elo com CV, armas e namoro com chefão

A investigação sobre uma família de missionários suspeita de usar um projeto de evangelização dentro de presídios de Mato Grosso para favorecer integrantes do Comando Vermelho ganhou destaque nacional no domingo (13), em reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo. Fotos, vídeos, áudios e mensagens obtidos durante as apurações revelaram uma relação que, segundo a Polícia Civil, ia muito além da assistência religiosa e incluía proximidade com lideranças da facção, viagens ao Rio de Janeiro, armas, dinheiro e carros de luxo.

No centro da investigação está a missionária Rhavenna Barcelos de Almeida, presa durante a Operação Fariseus. Ela e os pais, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda de Almeida, integravam um projeto autorizado a prestar assistência religiosa em unidades prisionais de Mato Grosso.

Segundo a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), porém, o acesso proporcionado pela atividade missionária teria sido utilizado para manter contato com integrantes da facção, intermediar recados e movimentar recursos. A investigação também apontou que integrantes da família teriam emprestado contas bancárias para receber, fracionar e repassar valores atribuídos a criminosos.

A suspeita inicial era de que celulares e outros objetos ilícitos fossem levados para dentro das unidades prisionais. Esse ponto, conforme a própria Polícia Civil informou quando deflagrou a Operação Fariseus, não chegou a ser comprovado. A quebra de sigilos, no entanto, revelou fotografias, vídeos, conversas e movimentações financeiras que, de acordo com os investigadores, mostraram que a relação da família com presos, foragidos e integrantes do Comando Vermelho extrapolava a atuação religiosa.

Namoro com Batman

Entre os detalhes revelados pelo Fantástico está o relacionamento amoroso que Rhavenna teria mantido com Jonas Souza Gonçalves Júnior, o Batman, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso.

Condenado a 49 anos de prisão, Batman cumpria pena na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Em setembro de 2024, após passar para o regime semiaberto, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu para o Rio de Janeiro.

Mesmo foragido, ele teria mantido contato frequente com Rhavenna. Mensagens obtidas com autorização judicial indicam que a missionária sabia onde o criminoso estava escondido e conversava com ele sobre operações policiais realizadas no Complexo do Alemão.

Os investigadores também encontraram registros das viagens da missionária ao Rio. Em fotos e vídeos, Rhavenna e familiares aparecem na companhia de criminosos e próximos a armas. Em um dos registros exibidos pela reportagem, Batman participa de um churrasco na Rocinha enquanto mulheres cantam um louvor e um fuzil aparece no ambiente.

Porsche e ostentação

Outro material que chamou a atenção dos investigadores mostra Rhavenna passeando em um Porsche conversível avaliado em aproximadamente R$ 600 mil, atribuído pela investigação a Batman.

As imagens apreendidas mostram ainda criminosos armados, joias e momentos de ostentação. Segundo a investigação, integrantes ligados ao projeto religioso também fizeram viagens para áreas dominadas pela facção no Rio de Janeiro, algumas delas supostamente custeadas por criminosos.

A apuração identificou ainda uma relação de Rhavenna com Renildo Silva Rios, apontado como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso e preso há mais de duas décadas por crimes como homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa.

De acordo com o material apresentado pelo Fantástico, Renildo teria presenteado Rhavenna com joias, um veículo e uma viagem. A investigação também sustenta que a missionária e os pais atuavam na movimentação e ocultação de valores ligados a ele.

Recados e dinheiro

A Polícia Civil aponta que a estrutura familiar teria sido utilizada para prestar apoio comunicacional e financeiro à facção. Entre os elementos encontrados estão conversas telefônicas com presos, intermediação de mensagens entre detentos e pessoas em liberdade e contatos com integrantes do alto escalão da organização criminosa.

Também foram identificadas movimentações financeiras que, segundo os investigadores, envolviam contas de familiares e terceiros, depósitos em espécie, fracionamento de valores e sucessivos repasses para dificultar a identificação da origem e do destino do dinheiro.

Rhavenna e os pais foram indiciados pela Polícia Civil por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Posteriormente, o Ministério Público denunciou Rhavenna, Orminda e Renildo pelos mesmos crimes. Nivaldo morreu no início deste mês, após enfrentar um câncer.

A Justiça também proibiu integrantes investigados e outras pessoas ligadas ao projeto de realizarem atividades de assistência religiosa dentro dos presídios.

As defesas de Rhavenna e Orminda negam envolvimento com organização criminosa. A defesa de Rhavenna afirmou que as acusações serão esclarecidas no decorrer do processo.

Veja a reportagem completareportagem completa exibida pelo Fantástico

Leiagora

Foto: divulgação

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