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“Não existe crime perfeito”, diz diretor da Politec ao explicar bastidores da investigação científica

Com mais de 15 anos de atuação como perito oficial criminal, Eric Luiz Zambrim explicou como funciona o trabalho técnico-científico desenvolvido pela instituição e destacou a importância da prova pericial para a investigação e para a Justiça.

O diretor metropolitano de Criminalística da Politec-MT, Eric Luiz Zambrim, falou sobre os bastidores da perícia criminal em Mato Grosso durante entrevista ao podcast Agora Pod. Com mais de 15 anos de atuação como perito oficial criminal, ele explicou como funciona o trabalho técnico-científico desenvolvido pela instituição e destacou a importância da prova pericial para a investigação e para a Justiça.

Segundo Zambrim, a perícia criminal tem papel fundamental na reconstrução da dinâmica de crimes e na produção de provas técnicas que auxiliam delegados, promotores e magistrados na condução dos processos judiciais.

“A gente vai para o local para materializar aquilo que está ali, transformar os vestígios em prova técnica e entregar um laudo que vai subsidiar a investigação e o Judiciário”, explicou.

De acordo com o perito, uma das principais características da profissão é a imprevisibilidade. Quem atua em plantões de atendimento a locais de crime precisa estar preparado para enfrentar situações completamente diferentes em um mesmo dia.

“A rotina do atendimento de local de crime é não ter rotina. Você pode esperar uma situação em um plantão e encontrar algo completamente diferente no outro”, afirmou.

Zambrim relatou que trabalhou durante 13 anos diretamente no atendimento de locais de crime, período em que lidou com ocorrências de naturezas diversas, desde crimes contra o patrimônio até casos de mortes violentas.

Durante a entrevista, o diretor ressaltou que a Politec é uma polícia científica e atua em diversas áreas da perícia criminal, como análise de DNA, balística, computação forense, crimes ambientais, perícia contábil e identificação humana.

Segundo ele, apesar de muitas pessoas associarem a perícia apenas a casos de homicídio, o trabalho da instituição é muito mais amplo e envolve diferentes tipos de exames técnicos.

“As pessoas veem o carro da Politec e já pensam que morreu alguém. Mas a instituição atua em diversas outras frentes, como exames de lesão corporal, identificação técnica e emissão da nova carteira de identidade”, destacou.

Ele também ressaltou que o estado conta com tecnologias avançadas para investigação científica, inclusive em áreas como genética forense e sistemas de análise balística, que permitem comparações e cruzamentos de dados em investigações criminais.

Sobre a formação profissional, Zambrim explicou que a perícia criminal reúne profissionais de diferentes áreas do conhecimento. Entre as formações mais comuns estão Engenharia, Direito, Biologia, Química, Geologia, Ciências Contábeis e outras áreas técnicas.

Para ele, mais importante do que a área de formação é o perfil do profissional.

“A pessoa que quer seguir essa carreira precisa gostar de estudar, ter curiosidade e estar sempre buscando conhecimento”, afirmou.

Além da complexidade técnica, o trabalho do perito também envolve desafios emocionais. Segundo Zambrim, os profissionais precisam manter equilíbrio psicológico para lidar com cenas de violência extrema sem comprometer a análise científica.

Ele explica que a atuação do perito exige concentração e distanciamento emocional para garantir a objetividade da investigação.

“A gente trabalha com materialidade e ciência. Se a pessoa deixar a emoção interferir na análise, pode comprometer a interpretação dos vestígios”, disse.

Ao comentar casos de grande repercussão que ocorreram em Mato Grosso nos últimos anos, Zambrim destacou que a perícia não atua isoladamente, mas em conjunto com as forças de investigação.

Segundo ele, a perícia é responsável por coletar e analisar vestígios que podem ajudar a esclarecer a dinâmica dos fatos, mas o trabalho investigativo envolve também a atuação da Polícia Civil e de outras instituições.

“A perícia por si só não resolve um caso. Ela materializa provas que vão subsidiar a investigação e depois a decisão da Justiça”, explicou.

Entre os procedimentos fundamentais da perícia estão a coleta de vestígios biológicos, impressões digitais, objetos que possam conter provas e análise de equipamentos eletrônicos, sempre seguindo protocolos técnicos e a cadeia de custódia.

Durante a entrevista, Zambrim também comentou sobre situações em que laudos periciais são questionados por familiares ou pelas partes envolvidas em um processo, ao ser questionado sobre o caso da advogada Viviane de Souza Fidelis, de 30 anos, encontrada morta em seu apartamento em Cuiabá em 17 de setembro de 2025, contesta veementemente os laudos preliminares da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) que sugeriram suicídio.

A mãe de Viviane, Sheyla Regina Barros de Souza, aponta inconsistências na investigação e suspeita de feminicídio, questionando a atuação da perícia e sugerindo “desleixo” na condução do caso.

De forma rápida e técnica ele destacou que a atuação da perícia é baseada exclusivamente na materialidade dos vestígios encontrados no local.

“A perícia relata aquilo que o local evidencia, aquilo que tem condições de afirmar tecnicamente”, afirmou.

Ao final da entrevista, o diretor destacou que a principal missão da Politec é a busca pela verdade por meio da ciência.

“A Politec trabalha o tempo todo em cima da verdade, seja na identificação de pessoas, seja na análise de um crime ou na reconstrução de um evento. É um trabalho técnico, sério e essencial para a Justiça”, concluiu.

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Leiagora

Foto : divulgação

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