Opinião

O esdrúxulo governo de Jair Bolsonaro

Bolsonaro foi um ponto fora da curva na política nacional, que não volta mais.

Por Ricardo Guedes

Primeiro Ato. Logo ao assumir, tentou a invasão da Venezuela através do manto da ajuda humanitária. Envolveu os Estados Unidos e a Colômbia, sendo John Bolton, Assessor de Segurança Nacional de Trump, demitido por decorrência da falha. Maduro continua no governo da Venezuela, e Bolsonaro fora do governo do Brasil com sua elegibilidade hoje suspensa por 8 anos.

Segundo Ato. Durante a campanha de 2018, uma nova economia de mercado foi prometida, no lema “mais Brasil, menos Brasília”, onde haveria um grande programa de privatização com o pagamento concomitante da dívida pública, com os agentes econômicos então como propulsores do desenvolvimento. Nada disso ocorreu. Bolsonaro pegou o país com PIB de US$ 1,9 trilhões em 2018 deixando o PIB em US$ 1,9 trilhões em 2002, 0% de crescimento durante os 4 anos de seu governo.

Terceiro Ato. Em 2020 e 2021, Bolsonaro despreza a crise do COVID, com 700 mil mortes, 10,5% dos óbitos do mundo para 2,7% da população mundial, que o Brasil representa. A hidroxicloroquina foi recomendada como tratamento preventivo para o Covid, remédio ineficaz para vírus, então motivo de galhofa no exterior.

Quarto Ato. No 7 de Setembro de 2021, Bolsonaro ataca as instituições nacionais e o STF, sugerindo o seu possível fechamento, com ataques dirigidos notadamente ao Ministro Alexandre de Moraes, verdadeiro bastião de nossa democracia constitucional.

Quinto Ato. Em julho de 2021, Bolsonaro promove reunião em Brasília com os Embaixadores estrangeiros para denegrir o sistema eleitoral brasileiro, turning point de sua derrocada. com a unicidade da elite brasileira contra a sua sequência manifesta pela FIESP, FEBRABAN, e nos atos da Escola de Direito da USP.

Sexto Ato. No 7 de Setembro de 2022, Bolsonaro sugere novamente o fechamento STF, visando à quebra da ordem institucional.

Sétimo Ato. Bolsonaro perde as eleições em 30 de novembro de 2022. Seguem-se as frustradas tentativas de golpe de estado, com as movimentações no Brasil e em Brasília à frente dos quartéis e diante da sede da Polícia Federal, e na invasão da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. O Exército Brasileiro, em sua maioria legalista, não endossou a iniciativa.

Oitavo Ato. O fecho é lamentável, com a ida de Bolsonaro para Miami, o caso das joias da Arábia, a falsificação dos cartões de vacina, e o retorno de Bolsonaro ao Brasil, com o PL preparando escritório político para Bolsonaro, do tipo, como se diz na gíria, “para Inglês ver”. Bolsonaro não tem o controle do partido, com direito a arranca toco no PL por volta da Reforma Tributária.

Último Ato. Bolsonaro tem sua eligibilidade suspensa por 8 anos pelo TSE em 30 de junho de 2023. O ex-Ministro da Justiça Anderson Torres e o Tenente-Coronel Mauro Cid continuam detidos para investigação.

Bolsonaro foi eleito na representação da imagem da antipolítica, o que realmente não era, posto que usufruía os benefícios do baixo clero no Congresso há 28 anos. Não sabe fazer política. Existe, sem dúvidas, um movimento conservador brasileiro, mas Bolsonaro, como líder radical, não volta mais ao cenário das Eleições Presidenciais Brasileiras. Terá influências pontuais em alguns eleitorados e cidades do país em 2024. Passará ainda por diversos processos jurídicos.

Ricardo Guedes é Ph.D. pela Universidade de Chicago,

CEO da Sensus,

e Medalha do Pacificador do Exército Brasileiro

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