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O Tabuleiro político de Rondonópolis: O declínio dos velhos caciques e a nova força que vem das urnas

O xadrez político de Mato Grosso sempre teve em Rondonópolis um de seus quadrantes mais instáveis e, por isso mesmo, fascinantes.

Segundo maior colégio eleitoral e potência econômica do sul do estado, o município vive hoje o prenúncio de uma troca de guarda. Os sinais emitidos pelos bastidores e as movimentações de pré-campanha desenham um cenário claro: a era do populismo tradicional dá sinais de fadiga, abrindo espaço para lideranças moldadas pelo pragmatismo econômico e pelo voto ideológico.

O principal sintoma dessa metamorfose é o atual momento de Zé Carlos do Pátio (PV). Político tradicional, forjado no carisma de massas e com seis mandatos de deputado estadual no currículo, Zé do Pátio experimenta o amargo sabor do isolamento político.

O “sumiço” de seu nome nas posições de liderança dos trackings eleitorais internos acendeu o alerta em seu grupo. Trata-se do preço cobrado pelos erros de articulação: o esvaziamento de sua base aliada e, principalmente, a incapacidade de projetar um sucessor viável nas eleições municipais de 2024.

Para Pátio, o retorno à Assembleia Legislativa (ALMT) não será um passeio, mas uma guerra de sobrevivência. Ele não apenas enfrenta a concorrência externa de nomes locais consolidados — como  Nininho (Republicanos) e Sebastião Rezende (União) —, mas também uma indigesta disputa interna.

Dividindo a Federação com o PT, o ex-prefeito terá que disputar espaço com deputados de mandato e capilaridade testada, como Lúdio Cabral e Valdir Barranco. O risco de Pátio ficar sem cadeira é real.

Para tentar manter a relevância de seu grupo a nível federal, a aposta repousa sobre os ombros de sua esposa, a ex-primeira-dama Dona Neuma de Moraes (PV). Dona Neuma carrega um recall importante de quase 45 mil votos obtidos em 2022.

O sucesso dessa nova tentativa depende diretamente da capacidade de transferência de voto de um Zé do Pátio visivelmente desgastado.

Enquanto a esquerda tradicional bate cabeça para manter seus feudos, o vácuo deixado por ela começa a ser preenchido por duas forças distintas, mas que conversam com o novo eleitorado rondonopolitano.
A primeira delas é a direita ideológica e conservadora, representada pelo deputado federal Rodrigo da Zaeli (PL). Herdando a cadeira de Abilio Brunini na Câmara Federal, Zaeli joga com o vento a favor do bolsonarismo em Mato Grosso. Ele tem a máquina do mandato em Brasília para mostrar serviço por meio de emendas e foca seu discurso no eleitorado antipetista e no agronegócio.

O desafio de Zaeli é provar que não é um parlamentar acidental, convertendo a onda conservadora em uma base de votos regionalizada e perene.

A segunda força — e talvez a mais interessante deste novo ciclo — vem da própria dinâmica econômica da cidade: a ascensão do empresariado local à linha de frente da política, personificada na pré-candidatura de Neles Farias. Ex-presidente da CDL e com trânsito livre nos setores de comércio e indústria, Neles traduz o cansaço da classe produtiva com as velhas fórmulas populistas. Sua plataforma de geração de empregos, desburocratização e atração de indústrias conversa diretamente com uma Rondonópolis que cresceu, se modernizou e já não aceita ser tratada apenas sob a ótica do assistencialismo de outrora.

O que as urnas preparam para Mato Grosso é o reflexo de uma transição cultural. Rondonópolis está deixando de ser a cidade do “voto de cabresto” ou da paixão cega por líderes messiânicos. O eleitorado local, cada vez mais urbano, dinâmico e exigente, começa a escolher entre a gestão de resultados e o alinhamento ideológico.

Para Zé do Pátio e seus correligionários, o relógio está correndo ao contrário; para as novas forças que emergem do comércio, da indústria e da nova direita, o tabuleiro nunca esteve tão favorável.

É chegada a hora dos novatos (Luciana Horta, Alessandra Ferreira e Cia Ltda), aproveitar o momento e o novo perfil do eleitorado local.

Porém, parafraseando o grande ex-governador de Minas Gerais e ex-ministro, José de Magalhães Pinto, a nuvem pode mudar de jeito. Em se tratando de política, tudo é muito imprevisível e célere. Nada impede que o cenário possa mudar diante de alianças e “costuras” visando o próximo pleito eleitoral.

Da redação

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