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Puma GTB marcou era dos esportivos nacionais com estilo e exclusividade

O Puma GTB foi um dos automóveis esportivos mais emblemáticos produzidos no Brasil na década de 1970. Apresentado inicialmente como Puma GTO no Salão do Automóvel de 1973, o modelo passou a ser comercializado oficialmente em 1974 com a sigla GTB, de Gran Turismo Brasil. Desenvolvido pela Puma Veículos e Motores, o carro rapidamente conquistou entusiastas por seu design inspirado em esportivos americanos e sua proposta de alto desempenho.

O projeto teve início no começo dos anos 1970, quando a fabricante brasileira testava um protótipo conhecido como P8, idealizado pelo designer Rino Malzoni. Equipado com motor de seis cilindros derivado do Chevrolet Opala, o veículo passou por extensos testes antes de chegar ao mercado. A recepção no Salão do Automóvel foi positiva, gerando cerca de 300 encomendas antes mesmo do início da produção em série, que começou de forma limitada, com cerca de 10 unidades mensais.

O GTB destacava-se pelo visual imponente, com carroceria em fibra de vidro, frente alongada e traseira curta. O modelo oferecia acabamento esportivo, incluindo bancos especiais, volante diferenciado e painel completo com instrumentos como conta-giros e voltímetro. Apesar do apelo esportivo, o desempenho era semelhante ao de outros carros nacionais da época, como Opala e Dodge Dart, embora seu preço fosse significativamente mais alto, ficando abaixo apenas do luxuoso Ford Landau.

Mesmo com desempenho considerado modesto para a categoria, o GTB tornou-se objeto de desejo. A produção limitada e a alta demanda criaram um fenômeno incomum: unidades usadas eram vendidas por valores superiores aos de fábrica, reflexo da longa fila de espera, que podia ultrapassar um ano.

Em 1978, a Puma lançou o GTB/S2, uma evolução do modelo com linhas mais modernas e melhorias em conforto e segurança. O novo carro trazia itens como cintos de segurança retráteis, ar-condicionado, vidros elétricos e interior mais espaçoso. Mantinha o motor 250-S de seis cilindros, mas incorporava avanços tecnológicos e rodas de liga leve. A produção do GTB/S2 seguiu até 1984, com cerca de 888 unidades fabricadas.

Após o encerramento da produção original, houve tentativas de continuidade. Em 1986, a fabricação foi retomada no Paraná sob licença, com pequenas mudanças estéticas e mecânicas. No entanto, o modelo já enfrentava concorrência mais moderna e eficiente, o que limitou seu sucesso comercial.

Durante os anos 1980, customizações também ganharam espaço, como o kit Daytona, que modificava significativamente o visual do GTB/S2. Paralelamente, a marca passou por mudanças estruturais até ser adquirida pelo empresário Nívio de Lima, que relançou o esportivo como Puma AMV 4.1 no fim da década.

O AMV trouxe melhorias de desempenho e acabamento, incluindo interior mais sofisticado e ajustes mecânicos. Ainda assim, a abertura do mercado brasileiro às importações no início dos anos 1990 reduziu a competitividade do modelo. Com a morte de Nívio de Lima e o aumento da concorrência estrangeira, a produção foi encerrada em 1991.

Hoje, o Puma GTB é lembrado como um ícone da indústria automobilística nacional, símbolo de uma época em que fabricantes brasileiros buscavam espaço no segmento de esportivos com soluções próprias e grande apelo emocional.

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