Editorial

Rondonópolis: o eleitor precisa escolher quem tem compromisso com a saúde pública

A saúde pública de Mato Grosso chegou a um ponto em que o cidadão, além de enfrentar filas, falta de vagas e demora por atendimento, muitas vezes precisa recorrer ao Poder Judiciário para garantir aquilo que deveria ser um direito básico.

O Judiciário e a Defensoria Pública estão sobrecarregados com demandas relacionadas à saúde. Transferências de pacientes, internações, exames e procedimentos que deveriam ocorrer dentro do fluxo normal do sistema acabam sendo determinados por medidas liminares. Em alguns casos, mesmo diante de uma decisão judicial, o Estado não cumpre a determinação no prazo, obrigando a Justiça a adotar medidas mais duras, como bloqueio de recursos públicos ou aplicação de multa diária.

E isso não é um problema isolado. Está acontecendo em diversos municípios de Mato Grosso.

A pergunta que precisa ser feita é: por que o cidadão precisa entrar na Justiça para conseguir atendimento médico?

O problema fica ainda mais evidente quando olhamos para Rondonópolis e para o Hospital Regional. A unidade foi construída ao longo da década de 1990 e inaugurada em 2002. Naquela época, a população da região atendida pelo hospital girava em torno de 350 mil habitantes. Hoje, essa população se aproxima de 700 mil.

A população praticamente dobrou. A estrutura hospitalar pública, não.

O Hospital Regional passou por reformas, adequações e tentativas de ampliação, mas existe um limite físico. Não há espaço suficiente para transformar uma estrutura projetada para outra realidade em um hospital capaz de atender a demanda atual e futura de toda a região.

E aqui está o ponto que precisa ser dito sem rodeios: Mato Grosso cresceu, Rondonópolis cresceu, a região cresceu, mas o planejamento da saúde pública não acompanhou esse crescimento especialmente na nossa cidade e o estado que o responsável, não em resolver a situação do Hospital regional Irmã Giovanella. deixando a população sempre a deriva.

Onde estão nossos representantes?

Governador, deputados estaduais, deputados federais e senadores precisam responder à população. Não basta anunciar pequenas obras, entregar equipamentos, conseguir emendas ou participar de inaugurações. Isso é importante, mas não resolve um problema estrutural que afeta centenas de milhares de pessoas.

Rondonópolis precisa discutir seriamente a construção de um novo hospital regional, planejado para a realidade atual e para as próximas décadas.

Isso exigiria união política. Exigiria que deputados de diferentes grupos deixassem de lado interesses eleitorais e trabalhassem juntos por uma causa que ultrapassa mandatos.

Enquanto os políticos não pensam nisso, quem paga a conta é o cidadão.

E há outro problema: o eleitor precisa começar a cobrar mais e a lembrar mais.

Chega de eleger os mesmos políticos apenas porque aparecem de quatro em quatro anos, apertam mãos, fazem promessas e desaparecem depois da eleição. Alguns já vivem na capital e só retornam quando precisam do voto.

Outros permanecem em Rondonópolis, distribuem abraços, anunciam pequenas obras e emendas e constroem uma imagem de grandes solucionadores de problemas. Mas quando o assunto exige articulação política de verdade, planejamento de longo prazo e enfrentamento de problemas estruturais, o silêncio é ensurdecedor.

Não se trata de ser contra este ou aquele político. Trata-se de perguntar: o que realmente foi feito para resolver definitivamente os grandes gargalos da saúde regional?

Essa discussão não pode morrer junto com a próxima manchete.

Rondonópolis precisa parar de eleger representantes apenas pela capacidade de fazer barulho, abraçar pessoas ou anunciar pequenas conquistas. Precisamos eleger quem tenha coragem de enfrentar os grandes problemas. E um novo hospital regional é um deles.

Porque enquanto políticos disputam quem aparece mais na fotografia, o cidadão continua disputando uma vaga, uma transferência, uma cirurgia e, em alguns casos, o próprio direito de continuar vivo.

A população precisa abrir os olhos. O voto é a única ferramenta que o cidadão tem para cobrar, premiar ou punir quem ocupa o poder. E a próxima eleição precisa ser também um julgamento sobre o que foi feito — e, principalmente, sobre aquilo que poderia ter sido feito e não foi.

José Carlos Garcia

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