Urias: “Quero falar sobre como a raiva reverbera dentro de mim, fazê-la ser produtiva”

Urias é ponto fora da curva. Com muita força de vontade e atenta às oportunidades, a cantora mineira aprendeu, desde cedo, a se virar e vem conquistando seus maiores sonhos. Ser capa da Quem, por exemplo, era um desejo antigo da cantora, que ainda nem acredita que chegou lá — ou melhor, aqui.

Não porque o caminho tenha sido fácil (e não foi), mas porque, diante do recorte social e da realidade simples em que nasceu, se imaginar capa de revista parecia um sonho longe e difícil de ser alcançado. Lançar um álbum era outro grande sonho que ela não pensava que pudesse realizar e que acaba de concretizar. “Não é todo mundo que lança um! Eu não tinha os acessos, ou visualizava os acessos necessários para lançar um; sonhava muito forte, mas não achava que fosse acontecer”, celebra.

Mostrando a artista versátil, que vai do reggae ao techno, passando pelo pagode de Alcione, o primeiro álbum da carreira, Fúria, reflete as referências e sentimentos que a trouxeram até aqui. Com agressividade e vulnerabilidade, ao longo das 13 músicas que compõem o projeto, Urias fala sobre desejos, sobrevivência e, acima de tudo, raiva. Raiva da transfobia sistêmica que afeta sua vida diariamente, raiva da forma como é tratada e vista, raiva de não ter culpa e também de não poder fazer nada. “Tem coisas que acontecem na vida que te deixam muito tristes e você percebe que elas acontecem independentemente de você. Teve um dia em que decidi parar de ficar triste e comecei a ficar com raiva, porque a culpa não é minha e eu não posso fazer nada em relação a isso”, conta.

Revista Quem

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