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Willys Itamaraty Executivo, a primeira limusine fabricada no Brasil se tornou um dos carros mais cobiçados por colecionadores

Em 1965 o Marketing da Wullys Overlnd do Brasil, detectava espaço no mercado para um carro luxuoso, confortável e extravagante: uma limusine feita a partir do já requintado Itamaraty, servindo à presidência da República (que até então utilizava um Cadillac no seu dia a dia), executivos de grandes empresas, governadores de estado, ministros e outras autoridades de alto escalão do país.  

A ideia de criar uma limusine partindo do já luxuoso Itamaraty surgiu por volta de 1965, vendo um mercado exponêncial, foi desenvolvido Itamaraty Executivo, uma limusine exclusiva para o mercado presidencial, governadores, ministros e execurivos em geral, foi uma tacada de mestre od Marketing da empresa, foram fabricados dois protótipos para sondagem do mercado.
O carro já foi exposto no V Salão do Automóvel, em 1966, e causou alvoroço do público por ser a primeira limusine nacional. A primeira unidade produzida da série foi criada especialmente para a presidência da República, servindo ao então presidente Castello Branco. Apesar de já terem prontos dois protótipos feitos na fábrica da Willys, a limusine, oficialmente batizada de Itamaraty Executivo, passou a ser construída em série nas instalações da Karmann-Ghia, do Brasil, também em São Bernardo. Eles partiam de uma carroceria normal de um Itamaraty, e, na altura da coluna central, o carro era cortado e aumentado em 72 cm, chegando a 5,52 m de comprimento total). 

 

O mecanismo do vidro elétrico, sofisticado na época, acabava por limitar o espaço do banco inteiriço dianteiro, que não podia ser muito recuado. Por isso, o motorista e um possível segurança, iam na frente, com luxos e acabamentos encontrados nos Itamaraty convencionais, como bancos em couro preto, madeira legítima nos painéis e laterais de porta, rádio e instrumentação completa. Outra curiosidade foi a adoção, pela primeira vez nos modelos da Willys, de ar-condicionado, claro que direcionado aos passageiros traseiros, com ajustes próprios em um pequeno painel.  

O Executivo era oferecido aos seus exclusivos consumidores em duas versões, Standard e Especial e, quando completo, o carro podia chegar ao preço $ 500 mil reais. A primeira, mais simples, contava com menos equipamentos exclusivos, mas ainda assim atendia a grande maioria dos executivos e pessoas importantes que nele viajavam (toca-fitas, sistema de som exclusivo ou apoio de braço traseiro), enquanto acomodava cinco ocupantes além dos três que podiam caber no banco dianteiro inteiriço (o esquema era 3+2+3, incluindo dois bancos escamoteáveis que iam fixados nas laterais, um de frente para o outro)

Para a mecânica da limusine Executivo funcionar bem, algumas modificações foram feitas com relação ao Aero-Willys 2600: o motor 2,6-litros, de seis cilindros em linha, com válvulas de admissão no cabeçote e de escapamento no bloco, teve sua cilindrada aumentada para 3 litros com a adoção de um virabrequim de curso mais longo, acompanhado de novos pistões e carburador único de corpo duplo, em vez da dupla carburação do 2600. O Executivo foi o primeiro a usar o motor 3000, gerando 132 cv SAE (cerca de 98 cv NBR atuais) e pouco mais de 22 m·kgf de torque bruto.  

Motor 3000, que substituía o 2600 no Itamaraty, veio bem a calhar, mas ainda era insuficiente para os 1.700 kg da limusine (Foto: Quatro Rodas/Christian Castanho
A limusine chegava a 3,45 m de distância entre-eixos, 820 litros de porta-malas e mais de 5,5 m de comprimento total: enorme! (Foto: Quatro Rodas/Christian Castanho)

Mais longo, o Executivo exigia também um cardã mais comprido para levar o torque ao diferencial traseiro, por isso a Willys desenvolveu um novo cardã bipartido, com mais um ponto de apoio, o que resolveu o problema, e ainda garantiu menos vibrações no funcionamento. Os freios eram os mesmos do Itamaraty comum, e também críticos na limusine, mas, não havia jeito: esse era o projeto do carro.  

Algumas unidades merecem destaque: a primeira de produção em série feita pela Karmann-Ghia, número 001, foi destinada ao presidente da República, e depois transportou mais seis presidentes do Brasil em ocasiões especiais; enquanto o carro 004, do Governo de São Paulo, foi metralhado em 1968. Abreu Sodré, o então governador do estado, estava a bordo, escapando de todos os tiros. Na sua história, unidades do Executivo também transportaram o príncipe Akihito e a princesa Michiko do Japão, Indira Gandhi (primeira-ministra da Índia) e até a Rainha Elizabeth II. 

Em sua história, o Itamaraty já transportou pessoas de muita relevância mundial, como, por exemplo, a Rainha Elizabeth II (Foto: Quatro Rodas/Christian Castanho)

Em meados de 1967 foi decretado o fim de linha da pioneira e exclusiva limusine nacional.  Poucas unidades do Executivo foram fabricadas, no total 27 no total sendo 19 da versão Standard, 6 da Especial, mais os 2 protótipos.  

A chegada do Ford Galaxie, um carro mais moder e com os mesmos luxos do Utamaraty Executivo abocanhou o mercado da primeira Limusine fabricada no país.

O Itamaraty Executivo é hoje um carro raro e cobiçado por colecionadores de automóveis antigos.

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