Editorial

Congresso se omite enquanto bets arruínam famílias e enriquecem exploradores

Nossos deputados e senadores precisam assumir a responsabilidade de acabar com as bets e com todos os tipos de jogos on-line. O Brasil se transformou em um paraíso da exploração financeira pela internet. Todo tipo de jogatina se espalhou pelas redes, impulsionada por influenciadores e por figuras que surgem do nada, enriquecem rapidamente e desaparecem com a mesma velocidade com que apareceram.

Velhos conhecidos do empresariado brasileiro criam cassinos virtuais, casas de apostas e toda sorte de esquemas que drenam o dinheiro da população. Até o jogo do bicho encontrou espaço na internet. A sensação é de que não existe limite para esse mercado.

Se tivéssemos um Congresso realmente preocupado com a saúde financeira dos cidadãos, já teriam sido apresentados projetos de lei para acabar com essas armadilhas digitais. No entanto, pelo que se vê, há parlamentares que apoiam esse modelo — seja porque possuem interesses diretos, muitas vezes escondidos atrás de laranjas, seja porque os beneficiados fazem parte de seus círculos de relacionamento.

Os exemplos das consequências dessa realidade são numerosos. Pessoas caem nessas armadilhas, acumulam dívidas impagáveis e acabam destruindo suas próprias vidas. Há casos de indivíduos que chegaram ao desespero extremo, venderam bens da família sem autorização e, ao atingir o fundo do poço, tiraram a própria vida. Enquanto isso, oportunistas lucram com a desgraça alheia, e o Parlamento permanece inerte, fazendo vista grossa para um problema que corrói as finanças dos mais vulneráveis.

Quando se observa essa situação com mais atenção, fica evidente o quanto muitos de nossos legisladores demonstram incompetência, falta de compromisso moral e ausência de bom senso diante de um problema tão grave. Ou assumem a responsabilidade de combater essas jogatinas de forma efetiva, ou o Brasil consolidará de vez sua condição de paraíso das apostas on-line.

José Carlos Garcia/da editoria

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