Do leitor

Do leitor | As evoluções da concepção de criança: uma transformação histórica e cultural.

Por: Aldeny Alves Oliveira, Suellen Dayane Ribeiro e Rosilene Alves Lima

A noção que temos hoje de infância é bem diferente de alguns séculos atrás, até por volta dos séculos XVII e XVIII, a criança era vista como um adulto em miniatura. Demorou muito tempo até que se desse conta de que as crianças não são homens ou mulheres de tamanhos reduzidos.

Antes a infância era um tempo bem reduzido, considerava-se somente durante o tempo em que a criança não sabia se virar sozinha, comer, beber, vestir-se, na Idade Média não havia clareza em relação ao período que caracterizava a infância, muitos se baseavam pela questão física e determinava a infância como o período que vai do nascimento dos dentes até os sete anos de idade, logo quando aprendia a bastar-se, se misturava com os adultos e juntos partilhavam de jogos e trabalhos.

Em relação ao reconhecimento da infância, é importante relembrar que as pessoas começaram a descobrirem a criança, descobrindo primeiro sua alma antes do corpo, por meio do batismo, sob as tendências formadoras da igreja católica. Foi no século XVII que os artistas começaram a representar a criança, por meio de esculturas exibindo na nudez. Também se representava a alma das pessoas, por meio de imagens e esculturas de crianças nuas ou enroladas em panos.

No século XVI, a criança passou a ser representada por ela mesma, deixando de representar a alma em forma de criança, foi quando os retratos de crianças vivas e mortas se tornaram mais frequentes.

Até o século XVII a sociedade não dava muita atenção às crianças, por essa razão e devido às más condições sanitárias, a mortalidade infantil tinha um número muito elevado, por isso a criança era vista como um ser ao qual não se podia apegar, pois a qualquer momento ela poderia deixar de existir.

As transformações sociais que ocorreram no século XVII contribuíram para a construção de um sentimento de infância. O que ajudou a mudar o conceito de infância, foi a afetividade que ganhou mais importância nas famílias, e as reformas católicas e protestantes, que trouxeram uma nova perspectiva em relação à criança e sua aprendizagem.

A aprendizagem era adquirida a partir da observação de gestos e ações dos adultos, por meio de jovens e crianças. No fim do século XVII, a escola substitui essa aprendizagem informal, tornando a aprendizagem por meio da educação. Surge uma preocupação com a formação moral da criança e a igreja se encarrega em direcionar a

aprendizagem, visando a criança, acreditava-se que ela era fruto do pecado, e deveria ser guiada para o caminho do bem.

Durante muito tempo, o cuidado e a educação das crianças pequenas eram vistos como tarefas da família, destacando como papel principalmente da mãe.

Devido ao caráter de cuidado para com a criança pequena, que as primeiras instituições de educação infantil eram vistas apenas como um local de cuidado. Com a revolução industrial, a mulher começa a sair para trabalhar fora, e com isso surge lugares onde eram destinados para que essas mulheres pudessem deixar seus filhos. Inicialmente esses locais eram destinados apenas para o cuidado, sem se levar em conta a necessidade de uma educação para essas crianças.

Foi no século XX, logo após a primeira guerra mundial que cresce o interesse e a ideia de respeito à criança.

Vemos que é de grande importância considerar e reconhecer o conceito de infância, pois a partir desse reconhecimento, se desenvolveram trabalhos e pesquisas acerca do desenvolvimento da criança, levando em consideração suas necessidades e dificuldades.

Sendo assim, a reconstrução da infância é um subsídio necessário para o trabalho pedagógico na educação infantil, pois as novas teorias e concepções sobre o desenvolvimento da criança, influenciam e contribuem para que os educadores pudessem adequar os currículos e sua prática de acordo com as necessidades do desenvolvimento infantil.

A criança é um ser histórico, constituído como produtor e reprodutor de cultura. A infância passa a ser vista não mais somente como um tempo de desenvolvimento, mas também como um tempo de ser criança, brincar, sorrir, ser assegurada de seus direitos.

A educação infantil só ganhou maior importância quando a criança passou a ser valorizada, pois a visão de infância é o que conduz o trabalho docente. O conceito de infância tem forte papel na educação infantil, pois direciona o trabalho com a criança pequena.

Com a descoberta da infância nos finais do século XVII e XVIII, que se iniciou a noção de infância que temos hoje, que é moderna, veio daí a necessidade de se considerar a cultura do brincar. O interesse pelo brinquedo teve sua origem na Alemanha em oficinas de madeira, onde os brinquedos eram produzidos de forma artesanal. Foi somente a partir do século XVIII que o brinquedo ganhou espaço no mercado industrial.

A fabricação de brinquedos inicialmente partiu da ideia de se produzir objetos menores para decoração das casas. Com o passar do tempo o brinquedo deixou de ser um objeto apenas decorativo e passou a ser um objeto do imaginário infantil.

A capacidade de cada criança de escolher um determinado brinquedo para adaptar com a finalidade da brincadeira, se torna de grande importância para o imaginário infantil, sua fantasia e sua expressão.

A criança é também um indivíduo de direitos e deveres, que deve ser reconhecida tal qual ela é. Deve-se lhe proporcionar o direito de se expressar e desenvolver-se conforme seu próprio tempo. Por muitas a criança é vetada de uma participação social efetiva, por se considerar que necessita de uma estrema proteção. A noção que temos hoje de infância é moderna, e é de grande importância, pois devemos conhecer a criança para entender suas necessidades.

Aldeny Alves Oliveira é graduada em Ciências Biológicas pela UFMT, graduação em Pedagogia pela FAERP.(Faculdade entre Rios do Piauí), pós-graduação em Saneamento Ambiental, pela Faculdade Integrada da Grande Fortaleza, pós-graduação em Ludopedagogia pela Prominas, pós-graduação em Autismo pela Dom Alberto. Docente da rede municipal de Rondonópolis.

 

Suellen Dayane Ribeiro, É graduada em Pedagogia pela UFMT, Pós-graduação em Sociedade, Política e Cidadania: olhares transdisciplinares, docente da rede municipal de Rondonópolis.

 

Rosilene Alves Lima, É graduada em Pedagogia pelo Instituto Superior Albert Einstein. Pós-graduação em psicopedagogia e educação infantil pelo instituto Superior de Educação de Ibituruna ISEIB. Docente da rede municipal de Rondonópolis.

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